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O Segredo de Fátima



Supostas aparições da Virgem Maria a três crianças pastoras, numa cidadezinha a oeste de Portugal, geraram um dos maiores mistérios da Igreja Católica: o segredo de Fátima. 

Segundo o Vaticano, a primeira das seis aparições da Virgem foi em 13 de maio de 1917, quando as crianças levavam um rebanho de ovelhas para pastar na Cova da Iria, em Fátima. Lá, foram surpreendidas pela imagem de uma "senhora vestida de branco mais brilhante que o sol" sobre uma oliveira. 

As outras manifestações de Maria foram neste mesmo ano, em geral no dia 13, por volta do meio-dia. Na última, em 13 de outubro, com a presença de cerca de 50 mil pessoas, muitas testemunhas disseram ter visto o sol "dançar" no céu, em resposta a um pedido dos pequenos pastores para que a Virgem aparecesse.

Segredo de Fátima


Maria teria dito um segredo às crianças. A única sobrevivente dos três, a irmã Lúcia de Jesus, encarregou-se de redigi-lo. Ela revelou que a mensagem da Virgem continha três partes, mas desvendou apenas duas. 

A primeira era a imagem do inferno e a informação de que as crianças morreriam. Duas delas, os irmãos Jacinta e Francisco Marto, primos de Lúcia, morreram poucos anos depois, em 1918 e 1919, respectivamente. 

A segunda anunciava, 22 anos antes, a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), além do fim da Primeira Guerra (1914-1918). 

Maria também teria pedido devoção, especialmente por parte da Rússia. A Virgem ainda teria dito às crianças que a Rússia, que estava prestes a transformar-se em União Soviética, "espalharia seus erros" pelo mundo e que o papa sofreria muito por causa disso. 

Sigilo 

Depois de redigido, Lúcia colocou a terceira parte do segredo de Fátima num envelope, selado com cera, e o entregou a um bispo português. Ele o enviou ao Vaticano no final da década de 50. 

Quando o papa João 23 (1958-1963) leu o documento, teria ficado chocado com a mensagem e dito a assistentes que não queria mais ouvir falar sobre o assunto. Os papas Paulo 6º (1963-1978) e João Paulo 2º também decidiram não divulgar o conteúdo após conhecê-lo. 

O terceiro segredo de Fátima foi revelado pelo Vaticano apenas em maio de 2000. A parte sigilosa da visão de 1917 se referia ao atentado sofrido por João Paulo 2º em 13 de maio de 1981, aniversário da primeira aparição de Maria às crianças, e à perseguição comunista contra o cristianismo. 
O papa acreditava que Maria havia salvado a sua vida no atentado. "A Virgem de Fátima desviou com suas mãos as balas", disse. Na ocasião, dois tiros foram disparados pelo turco Mehmet Ali Agca a uma distância de cerca de sete metros de João Paulo 2º. Ele foi ferido no estômago, no cotovelo e na mão esquerda. 

Em 1982, o papa deixou uma das balas que o atingiu na coroa que adorna a cabeça da estátua da Virgem de Fátima. Seguindo um conselho da irmã Lúcia, em 1984, ele dedicou o mundo a Maria numa cerimônia ante sua estátua, levada a Roma para a ocasião. 

Frustração 

Muito especulou-se sobre a terceira parte do segredo de Fátima antes de ser divulgada pelo Vaticano. Alguns religiosos acreditavam que se referia a uma guerra nuclear, que poderia levar ao fim do mundo. Outros, porém, diziam tratar de uma mensagem de esperança. 

O fato de o sigilo dizer respeito a um acontecimento da vida do papa foi objeto de críticas de diversos teólogos. Na época, o chefe da Congregação para a Doutrina da Fé e porta-voz da ortodoxia católica, Joseph Ratzinger, insistiu no caráter simbólico da visão, para reagir à decepção de expectativas acumuladas por católicos durante mais de 80 anos. 

Um documento com a interpretação do segredo, feito por Ratzinger, foi divulgado pelo Vaticano, dois meses após a revelação do sigilo, para responder aos que se frustraram com a ausência de uma visão profética. 

De acordo com um trecho do texto, o sentido da visão não é, portanto, o de mostrar um filme sobre o futuro, já fixo irremediavelmente, mas exatamente o contrário: o sentido é mobilizar as forças da mudança em bem. 

Os segredos de Fátima serviram de tema a centenas de livros e sites na Internet. Chegaram a inspirar, em 1981, um sequestro de avião por um extremista que exigia a revelação do sigilo pelo Vaticano. 

Beatificação 

Na época das manifestações de Maria, as crianças foram acusadas de bruxaria, e a igreja portuguesa duvidou, a princípio, do caráter "milagroso" de suas visões. Apenas em 13 de outubro de 1930, a igreja declarou os relatos "dignos de crédito". 

No 83º aniversário da primeira aparição da Virgem, João Paulo 2º beatificou os irmãos Jacinta e Francisco. Eles foram beatificados sem ter morrido como mártires, processo mais simples e mais comum para a beatificação. Os dois, à época com 9 e 7 anos, morreram de pneumonia pouco depois.

Segundo o porta-voz do santuário de Fátima, vários milagres aconteceram na cidade, mas o que contou para o processo de beatificação foi a cura de uma senhora, Emilia Santos, por intercessão por Jacinta e Francisco. 

Emilia, na época com 70 anos, voltou a andar em fevereiro de 1989, depois de ficar 22 anos imobilizada numa cama devido a uma paralisia. Ela afirmava ter rezado para os irmãos. 
 A irmã Lúcia morreu no dia 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos. 

Desde 1948 ela vivia em um velho convento de Coimbra (Portugal) que abriga a Ordem das Irmãs Carmelitas. 
Dedicava-se à oração e meditação. No final de sua vida, ficou cega e surda. 

Lúcia foi a única que disse ter ouvido claramente o que a Virgem disse. As memórias sobre as séries de aparições de Maria escritas por ela contribuíram para transformar Fátima em um dos locais mais venerados por católicos do mundo inteiro. 
Todos os anos, milhares de peregrinos vão à cidade para rezar e pedir milagres à santa.

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