31/05/2012

The Bitterroot Footage


Meu nome é Chad. Eu estudo em uma faculdade em Nova York.
Eu tinha acabado de mudar para um apartamento studio e precisava de mobília.
Achei um cara nos classificados que queria desesperadamente se livrar das suas coisas por preços super baratos, então eu fui até lá. Ele vendia as coisas em grandes quantidades para se livrar do máximo o possível.
Eu comprei uma pequena mesa e veio com um monte de outras coisas aleatórias. Algumas dessas eu me livrei, outras eu mantive.

Uma antiga caixa de madeira me chamou a atenção. Estava trancada e, curioso, eu a mantive. Eu tive que forçar a abertura com uma chave de fenda até abrir, e lá dentro achei algumas antigas fotos. A palavra”bitterroot” estava escrita atrás de todas elas. Tinha também uma lata que continha um rolo de filme que depois eu descobri com o meu amigo Dario (estudante de Cinema) ser um rolo de filme de 8mm.

O filme estava bem danificado, então eu apenas o mantive na minha estante como decoração, mas eu não conseguia tirar as fotos da minha cabeça. Eu tinha que descobrir uma maneira de assistir a esse filme.

Com a ajuda de Dario, nós conseguimos um projetor de filmes em boas condições no Ebay. O filme pulou várias vezes, então nós arrumamos e assistimos novamente. O que nós descobrimos foi perturbador.






Foto #1: Uma pessoa estranha segurando uma bengala. Parece que ele/ela está assistindo a alguma coisa.




Foto #1b: Escrito atrás de uma das fotos. Você consegue ler a palavra “Bitterroot”





Foto #2: Parece a mesma pessoa da primeira foto. É como se ele estivesse numa floresta e segurando algum tipo de sacola.



Foto #3: Uma mesa com algumas coisas nela. Também tem uma sacola no chão, amarrada com uma corda e correntes.

Foto #4: Nós podemos ver a mesma pessoa como nas outras fotos. Ela está em algum tipo de casa antiga.



Vídeo de Chad mostrando as fotos que encontrou na caixa de madeira…



O vídeo que Chad encontrou junto as fotos é esse abaixo, isso foi o que ele conseguiu recuperar do rolo de filme, ele disse ter ficado perturbado com o que viu…

Fonte: Medo B
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30/05/2012

Classificação De Demônios por Binsfeld



Peter Binsfeld


Peter Binsfeld (também chamado de Peter Binsfield, lat. Petrus Binsfeldius), foi um demonologista, teólogo e padre jesuíta Medieval. Viveu em Trier, na Alemanha, e ali morrera da peste em 1598. Ele estava envolvido nas caças às bruxas do tempo e escreveu "A Confissão de Warlocks e bruxas", que discutiu as confissões de supostas bruxas, e argumentou que a tortura não afetou a veracidade das confissões.
Em 1589, Peter Binsfeld comparou cada um dos sete pecados capitais com um demônio.


Classificação dos Demônios Segundo Binsfeld




Asmodeus: ---------------- " Luxúria "


Belzebu: ----------------- " Gula "


Mammon: ---------------- " Avareza "


Belphegor: ---------------- " Preguiça "



Satanás/Azazel: ----------- " Ira "



Leviathan: -----------------" Inveja "



Lúcifer: ------------------- " Orgulho "


Ele também teorizou que outros demônios poderiam invocar o pecado. Por exemplo, Lilith e sua prole, o incubus e sucubus, invocam a luxúria. O sucubus dorme com os homens, a fim de impregnar a si mesmo, para que possa suportar mais demônios. O incubus dormeria com mulheres para levá-las a pecar.
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29/05/2012

Bonecos de Shain Erin


Shain Erin é formado em artes pela San Francisco Art Institute e já trabalhou com diferentes mídias como a pintura e escultura. Recentemente passou a usar bonecas como forma de expressão de sua arte.













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28/05/2012

Afrodite - Vênus

Uma das doze divindade gregas do Olimpo, deusa da beleza e do amor correspondente à romana Venus, porém, ao contrário da última, não representava apenas o amor sexual, mas também a afeição que sustenta a vida social.


De acordo com as crenças mitológicas, foi nascida da espuma do mar gerada quando o pai dos titãs Urano foi castrado por seu filho Cronos. Este atirou os genitais cortados do pai ao mar, que começou a ferver e a espumar e promoveu a fecundação em Tálassa, deusa do mar.


A mais antiga dos deuses olímpicos ergueu-se da espuma e foi levada pelas ondas até chegar a ilha de Chipre e assim Kypris (= cipriota) foi um dos vários adjetivos que lhe foram atribuídos. Em outra versão seria filha de Zeus com Dione, filha de Urano e Tálassa. Criada e educada pelas ninfas do mar em suas cavernas, a deusa da beleza e do amor foi levada pelo mar, de ilha em ilha, encantando a todos com sua beleza e graça.


Era acompanhada pelas três Cárites, ou Graças como eram também conhecidas, Aglae, Tália e Eufrosina, que faziam grinaldas para os seus cabelos e teciam vestidos com as mais belas cores. Essas fatiotas enchiam o ar com as mais inebriantes fragrâncias florais. Chegando ao Monte Olimpo, onde um trono a esperava e os deuses aguardavam-na, seu enorme poder sedutor fez com que Zeus e os demais deuses disputassem o tempo todo os encantos dela, porém ela recusou suas propostas de casamento. Zeus, para recompensar Hefaístos (Vulcano), que lhe havia fabricado o trovão, e também ressentidos como vingança e punição pela rejeição, deu-a em casamento ao feio e deformado deus do fogo. Entre ela e Hera, a esposa de Zeus, não havia muita simpatia, especialmente pelo fato de que ela ter sido indicada mais bela do Olimpo. Para não ser traído pela mulher, Hefesto dava-lhe as melhores jóias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Então ela usava o cinto, para aumentar seus já irresistíveis encantos e conquistar mais amantes. Amou e foi amada por muitos deuses e mortais e dentre seus amantes mortais, os mais famosos foram Anquises e Adônis.




Teve filhos com vários deles como Hermafrodito com Hermes, Eros, o deus do amor e da paixão, com Zeus, Anteros com Adônis, Fobos, Deimos e Harmonia com Ares, Himeneu com Apolo, Príapo com Dionísio e Enéias com Anquises. Também não admitia que nenhuma outra mulher mortal tivesse uma beleza comparável com a sua, punindo todas que possuíssem tal beleza ou mesmo que se atrevessem em comparar a beleza com a sua, como aconteceu com Psiquê e Andrômeda.


Foi provavelmente uma das divindades mais veneradas por parte de todos os povos gregos e romanos, suas festas eram chamadas de afrodisíacas e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Com o passar do tempo e com o crescimento da religiosidade patriarcal, a deusa não perdeu sua mensagem de sexualidade liberal e passou a ser vista como frívola e promíscua. Era representada como uma mulher com uma coroa de flores, um ramo de oliva em uma das mãos e um símbolo da abundância na outra.


Um dos mais belos e importantes templos de todo o Império Romano, situado na Vía Sacra de Roma, era consagrado a essa deusa. Sua construção foi iniciada por Agripina e terminada por Vespasiano, e lá depositaram-se todas as riquezas saqueadas do grande templo de Jerusalém. Originário de Chipre, o seu culto estendeu-se a Esparta, Corinto e Atenas. Ela tinha o poder de inspirar amor nos corações humanos ou destruí-los e encarnava a perfeição da beleza feminina. A famosa estátua, a Vênus de Milo, e a mais conhecida e apreciada peça da escultura mundial, hoje, se encontra no Museu de Louvre, em Paris.
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27/05/2012

Xamanismo


A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO


Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.


O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.


A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.


A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.


As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.
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Religião da Idade da Pedra


Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.


Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.


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Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado, Shamanism:The Beginnings Of The Art.


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A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.


O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.


Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.


Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.


No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.


Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.


O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.


A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.


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O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.


Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.


O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.


O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.


O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.


No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :


#A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática
#A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo
#Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.
#O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.
#Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo
#Interação com espíritos da natureza
#Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc)
#Conhecimento sobre o fogo
#Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)
#Canções de Poder
#Danças
#Respiratórios e dietas
#Contação de histórias, preleições.


O Xamanismo como a mais antiga prática espiritual da humanidade tem como base em suas práticas o respeito pela ecologia, reconhecimento do Sagrado, necessidade de expandir a consciência e obter resposta em mundos paralelos, prática do amor incondicional . Suas práticas estabelecem contato com outros planos de consciência a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde. Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual.


A interação harmônica dos elementos equilibra a Jornada da Nossa Alma, faz girar a Roda da Vida em harmonia. No xamanismo praticado na atualidade estudamos os talentos elementais:


#A Terra é relacionada com o corpo físico e com as sensações.
#A Água é relacionada com a alma e com as emoções e sentimentos.
#O ar é relacionado com a mente e aos pensamentos e idéias.
#O fogo é relacionado com o espírito e associado à consciência, a claridade, a inspirarão.


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O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão de que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Inspirados na sabedoria dos povos ancestrais temos o desafio de resgatar o conhecimento acumulado nas práticas xamânicas das diversas tradições do planeta para os dias atuais. Assim, pretendemos contribuir para a saúde, autoconhecimento e o bem-estar geral do nosso povo e resgatar valores para uma vida mais harmônica e ecológicamente correta.


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Os ancestrais xamânicos viviam em harmonia e equilíbrio com todos os seres, pedras, plantas, animais, pássaros, peixes e até insetos.Para garantir sua sobrevivência em ambiente hostil os homens primitivos interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, manifestações da natureza, vento, chuva, etc.




Os caminhos do xamanismo são espirituais. A prática xamânica compreende a capacidade de entrar e sair de estados de consciência, de realidades não-ordinárias Os estados alterados de consciência não envolvem apenas o transe e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, promover curas, oráculos.


Os estados alterados de consciência incluem vários graus. Stanley Kryppner chega a classificar vinte estados diferentes de consciência. Elíade fala do êxtase, Castañeda fala do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supraconsciência, etc.,também são nomes para a mesma manifestação.


São através desses estados que conseguimos conexão com nossos mitos, símbolos, nossa verdade interior. Conseguimos expandir a percepção para mistérios que estão guardados em nós mesmos. Aprendemos a sentir, ver e ouvir a energia.Nos religamos com o Sagrado e com a fonte criativa de tudo o que nos acontece. Através da consciência ordinária não conseguimos alcançar níveis profundos do nosso ser. Existem diversas técnicas ou rituais para se chegar a estados mais profundos de consciência, dentre elas: tambores, danças, jejuns, plantas de poder (enteógenos), respirações, posturas corporais, e outros.


Através desses estados especiais alcança-se uma experiência divina, acessa-se uma fonte de Sabedoria Superior, podemos curar nosso corpo, nos conhecemos melhor através das visões, expandimos a nossa consciência.


Aprende-se as influências e forças da Terra e como as energias naturais afetam a vida. Tudo na natureza cresce e muda. É um ciclo. Os povos antigos consideravam a viagem circular da Terra ao redor do Sol, uma roda, representando o eterno ciclo de nascimento e desabrochar, crescimento e florescimento, maturidade e frutificação, envelhecimento e decadência, morte e decomposição e novamente renascimento, refletido na vida humana e na natureza.


Os nativos reconhecem o círculo como o principal símbolo para o entendimento dos mistérios da vida. Observaram que ele estava impresso em toda a natureza. O homem olha o mundo através dos olhos que é um círculo. A Terra, a Lua, o Sol, os planetas; são todos circulares. O nascer e o por do Sol acompanham um movimento circular. As estações formam um círculo. Os pássaros constroem ninhos em círculos, animais marcam seus territórios em círculos. As cabanas, ocas, tipis são circulares.


O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta. O resgate dos festivais sazonais (Solstícios e Equinócios), por exemplo, não marcam apenas a jornada do Sol, mas também os pontos críticos das estações, o ciclo agrícola, nossas emoções, hábitos. Essas "Forças Verdadeira acessadas desde o princípio na história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos sentí-las atuando em todos os momentos das cerimônias.


Podemos sentir a ligação profunda que a natureza tem com a vida, nos tornarmos parte de uma comunidade global, propomos o Vôo da Consciência em busca de novos horizontes, de novas conquistas, de um novo ser, de uma nova vida. O início de uma vida pautada na sabedoria encontrada nas folhas, nos movimentos dos ventos, no poder transformador do fogo, nos espíritos ancestrais, na jornada da alma, na missão.


As religiões do mundo moderno não têm tempo para a ecologia espiritual assim como a cultura e o modelo de pensamento consumista atuante. As Grandes Religiões inspiram e apontam para uma vida eterna fora deste planeta e pouco se preocupam em honrar as realidades do espaço sagrado em que vivemos. Atualmente muitos vivem com uma sensação de separação, isolamento, um sentimento de que deva existir um sentido maior na vida. Os rituais xamânicos podem trazer a consciência de somos apenas um "microcosmo", que somos parte de "algo maior", que somos filhos da Terra, parte de uma Terra Viva.
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26/05/2012

Deusa Tríplice - Donzela , Mãe e Anciã



Nos cultos pagãos onde sempre se reverenciou a Natureza, há o culto da Deusa Tríplice. Não se trata de três deusas distintas, mas sim dos três aspectos diferentes e complementares da Deusa ou da polaridade feminina de Deus (o TODO). Esses três aspectos na verdade são imagens arquetípicas: a donzela, a mãe e a anciã.


A DONZELA


 Desabrochar da feminilidade, maioridade e despertar da sexualidade. Está relacionada a primavera, início dos tempos. Deusas: Afrodite, Eostre, Ártemis, Atena, Perséfone e Diana. É aquele aspecto da mulher que não foi afetado pelas expectativas sociais e culturais, determinadas pelo sexo masculino. O aspecto da deusa virgem é uma pura essência de quem é mulher e daquilo que ela valoriza. Ele permanece imaculado e não contaminado, porque ela não o revela, pois o mantém sagrado e secreto, ou porque o expressa sem modificação para refutar os padrões masculinos. Tem muito a ver com a infância e adolescência da mulher onde ela ainda é ela mesma, com seus trejeitos, manias, ou seja, com sua natureza intacta. A donzela ainda não aprendeu a usar com maestria as máscaras sociais que, em breve, a farão perder sua inocência.


A MÃE
O segundo aspecto da deusa é a mãe, também chamada de amiga, amante, guerreira ou irmã. Ela é considerada a grande mãe, a mãe natureza, o que significa que é também a criadora e doadora da vida de todas as coisas animadas e inanimadas. Ela é simbolizada pelo verão. Deusas: Deméter, Ísis, Gaia, Nut, Hera, Danu e Selene. Uma deusa mãe é representada como a Mãe Terra; é representada como deidade da fertilidade geralmente sendo a generosa personificação da Terra. O termo Deusa mãe refere-se a um mito universal de divindade feminina relacionada à Natureza, aos ciclos, à Fertilidade e seu culto remonta ao início da história humana. O culto à Deusa mãe foi observado inicialmente na Pré-história (Paleolítico e Neolítico), aonde foram encontradas estatuetas de culto, estendendo-se ao reino da Frígia, onde ficou mais conhecida como Cibele daí às civilizações grega, romana, egípcia e babilônia aonde se consolidou um enorme panteão de deusas. A existência do culto em várias culturas não-frígias evidência, no entanto que Cibele é tão-somente a manifestação local desta divindade, a qual era identificada, entre os gregos, à deusa Réia. Estudos apontam que a ascensão do patriarcado, iniciada com os hebreus, na religião fez com que a tradição de adoração à deusa se tornasse ameaçadora à consolidação do poder pelos homens. Alguns ramos do cristianismo, tais como o catolicismo Romano, e a ortodoxia consideram Maria (mãe de Jesus), como uma mãe espiritual, cumprindo um papel materno, e vista como uma força protetora e intercessora, porém ela não é adorada como uma “deusa-mãe”. Vivemos o arquétipo da mãe quando estamos gestando: uns filhos, projetos, cursos, amigos, pais idosos, enfim somos a DEUSA-MÃE quando estamos gerando, nutrindo e cuidando de “aspectos” muito especiais para o nosso útero/coração.


A ANCIÃ
Guardiã do conhecimento oculto, dos mistérios da sabedoria mágica, a rainha do submundo, a sombra e todos os segredos que só a idade pode nos proporcionar. A anciã é a deusa tríplice por ela própria. Está associada ao inverno. Deusas: Hécate, Kali, Baba Yaga e Ceridwen. É a avó benevolente, que você pode contar para receber aquele conselho prudente. Ela é a mulher sábia que é mais poderosa que a mãe. Para a anciã não existem segredos, pois em função da sua idade, acumulou experiências, transformando-as em sabedoria. Ela é a pessoa idosa que já viu tudo e passou por isso com seu espírito não abafado e com o temperamento moderado pela experiência. Ela é o arquétipo da centralização interior, o ponto de equilíbrio que permite à mulher permanecer firme no meio da confusão, desordem ou afobação do dia-a-dia. O seu tema básico é a premonição. Vivemos de acordo com este arquétipo quando nos aproximamos do fim de nosso processo de autoconhecimento (amadurecimento psíquico/processo de individuação). Esta fase pode ou não coincidir com o final da menstruação e chegada da menopausa. Percebemos que a anciã nos traz o conhecimento de que não precisamos acumular coisas, pessoas e objetos, ao contrário, começamos a querer, com muita generosidade, dividir nossos conhecimentos com as futuras gerações, numa tentativa de fazer o melhor por nossos descendentes e por este lindo Planeta Azul.




Nas religiões pagãs, em especial na religião Wicca, o símbolo mais importante utilizado na representação da Deusa é a Lua – chamada de Deusa Tríplice ou Tríplice Deusa- associando-se às três fases visíveis da Lua, manifesta-se de três maneiras: Na lua nova/crescente, A Deusa é a Donzela (representando a pureza e a busca pelo conhecimento). Na lua cheia, Ela é a Mãe (representando poder, proteção e carinho maternal). Na lua minguante, Ela é a Anciã (representando sabedoria, conhecimento e renovação).


A deusa tríplice vive no lado ativo da psique feminina e toda mulher deve aprender a identificar suas facetas, para depois trabalhar com ela. Perceber como ela se manifesta em nosso interior é importante para evitar que este espaço seja inundado por uma destas facetas, anulando por completo a nossa vontade e impedindo-nos de exercer o nosso direito de livre escolha.A triplicidade da deusa pode ser percebida em muitas facetas da vida. Se lhe concedermos a oportunidade para se manifestar como figura mítica, ela poderá inspirar a nossa alma, assim como nutrir, sustentar e transformar o cerne do nosso ser.


Fonte: http://carlalindolfo.wordpress.com/2010/07/14/a-deusa-triplice-donzela-mae-e-ancia/
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25/05/2012

Meu coração Chora


Nessa viagem sem destino
Nunca me observa
Conversa com outros ao redor
Minha alma se desespera

Gostaria de sua atenção merecer
Conversar. Brincar. Dialogar. Amar
Sentir meu frio coração aquecer
Não mais me desesperar. Melhor seria lutar

É mister reconhecer que sua atenção não mereço
Sou apenas um estranho lutando para sobreviver
Em um mundo repleto de hostilidade
Tento não desvanecer

Longa e cansativa é a luta
Sem fim o desespero
Meu coração chora ante toda essa labuta
Mas de pé permaneço e encaro a luta

*Aermo Wolf
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24/05/2012

Cerberus / Cérbero - O Cão Do Inferno





Na mitologia grega, Cérbero ou Cerberus (em grego, Κέρβερος – Kerberos = "demónio do poço") era um monstruoso cão de múltiplas cabeças e cobras ao redor do pescoço que guardava a entrada do Hades, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem.


Morfologia


A descrição da morfologia de Cérbero nem sempre é a mesma, havendo variações. Mas uma coisa que em todas as fontes está presente é que Cérbero era um cão que guardava as portas do Tártaro, não impedindo a entrada e sim a saída. Quando alguém chegava, Cérbero fazia festa, era uma criatura adorável. Mas quando a pessoa queria ir embora, ele a impedia; tornando-se um cão feroz e temido por todos. Os únicos que conseguiram passar por Cérbero saindo vivos do submundo foram Héracles, Orfeu, Enéias e Psiquê.


Cérbero era um cão com várias cabeças, não se têm um número certo, mas na maioria das vezes é descrito como tricéfalo (três cabeças). Sua cauda também não é sempre descrita da mesma forma, às vezes como de dragão, como de cobra ou mesmo de cão. Às vezes, junto com sua cabeça são encontradas serpentes cuspidoras de fogo saindo de seu pescoço, e até mesmo de seu tronco.


Quanto à vida depois da morte, os gregos acreditavam que a morada dos mortos era o Hades, que levava o nome do deus que o regia, ao lado de Perséfone. Hades era irmão de Zeus. Localizava-se nos subterrâneos, rodeado de rios, que só poderiam ser atravessados pelos mortos. Os mortos conservavam a forma humana, mas não tinham corpo, não se podia tocá-los. Os mortos vagavam pelo Hades, mas também apareciam no local do sepultamento. Havia rituais cuidadosos nos enterros, e os mortos eram cultuados, principalmente pelas famílias em suas casas. Quando os homens morriam eram transportados, na barca de Caronte para a outra margem do rio Aqueronte, onde se situava a entrada do reino de Hades. O acesso se dava por uma porta de diamantes junto a qual Cérbero montava guarda.


Para acalmar a fúria de Cérbero, os mortos que residiam no submundo jogavam-lhe um bolo de farinha e mel que os seus entes queridos haviam deixado no túmulo.
Seu nome, Cérbero, vem da palavra Kroboros, que significa comedor de carne. Cérbero comia as pessoas. Um exemplo disso na mitologia é Pirítoo, que por tentar seduzir Perséfone, a esposa de Hades e filha de Deméter, deusa da fertilidade da Terra, foi entregue ao cão. Como castigo Cérbero comia o corpo dos condenados.
Cérbero era filho de Tífon (ou Tifão) e Equídina, irmão de Ortros e da Hidra de Lerna. Da sua união com Quimera, nasceram o Leão de Neméia e a Esfinge.






Cérberus, quando a dormir, está com os olhos abertos, porém, quando o mesmo está de olhos fechados, está acordado.
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23/05/2012

A Cidade Perdida da Bahia


Em um canto esquecido da Livraria Pública da Corte (atual Biblioteca Nacional), um manuscrito muito antigo e carcomido foi descoberto em 1839 pelo naturalista Manuel Ferreira Lagos, e entregue ao IHGB. Tratava-se do documento hoje conhecido como 512, com o título de Relação historica de uma occulta, e grande povoação antiquissima sem moradores. Sem saber, Lagos havia desencadeado o surgimento da mais conhecida fábula arqueológica do Brasil. Uma miragem fantástica, pela qual diversos intelectuais dedicariam todos os esforços para tentar solucioná-la.


Sapiente da enorme importância desse documento, o cônego Januário Barboza logo o publicou integralmente na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Não sem antes realizar um pequeno prefácio, onde apelou para o estudo das antigas tradições, reconstituindo a saga de Robério Dias, o Muribeca - preso por não revelar ao governo português a localização de ricas minas de prata na Bahia. Mesmo sem nenhuma comprovação da realidade desta cidade, para os entusiasmados intelectuais, tal Relação histórica era um vestígio que poderia conduzir a grandes descobertas. É muito importante a análise deste documento na conjuntura de sua época, também para entendermos mais a fundo a receptividade por parte do Instituto no Oitocentos.


Origem do Mito


O subtítulo da Relação esclarece o motivo da expedição pelos bandeirantes, a busca das minas de prata de Muribeca, na qual ficaram dez anos vagando nos sertões da Bahia. A estrutura da aventura não possui praticamente nenhum elemento fantástico, típico dos relatos quinhentistas sobre o Eldorado amazônico. Nem seres extraordinários, nem uma geografia pela qual o maravilhoso ditava totalmente as regras.


O início do relato descreve o encontro de uma montanha muito brilhante, devido a existência de cristais. Admirados pelo local, os bandeirantes no entanto não conseguiram escalar a formação rochosa. Um negro da expedição, ao tentar alcançar um veado branco (albino?), encontrou um caminho calçado por dentro da montanha, pelo qual a excursão seguiu adiante. Do alto da montanha, avistaram adiante uma "povoação grande, persuadindo-nos pelo dilatado da figura ser alguma cidade da Costa do Brazil." Após certificarem-se de que o local estava despovoado, iniciaram sua exploração.


O acesso para a cidade era feito por um único caminho de pedra. A entrada da urbe era formada por "tres arcos de grande altura, o do meio he maior, e os dous dos lados são mais pequenos: sobre o grande, e principal devizamos Letras que se não poderão copiar pela grande altura." Na cidade, as casas eram feitas com muita regularidade e simetria, parecendo "huma só propriedade de cazas, sendo em realidade muitas, e algumas com seus terrados descubertos, e sem telha, porque os tectos são de ladrilho requeimado huns, e de lages outros." Percorrendo o interior destas habitações, os bandeirantes não encontraram nenhum vestígio de móveis ou qualquer outro objeto. Ao final da rua, depararam com uma praça regular, que possuía em seu interior uma: "collumna de pedra preta de grandeza extraordinaria, e sobre ella huma Estatua de homem ordinario, com huma mao na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte; em cada canto da dita Praça está uma Agulha, a imitação das que uzavão os Romanos, mas algumas já maltratados, e partidos como feridas de alguns raios."


Sobre o pórtico principal da rua, também situava-se uma "figura de meio relevo talhada da mesma pedra, e despida da cintura para cima, coroada de louro" e com inscrições abaixo do escudo. Nos lados esquerdo e direito da praça existiam edifícios imensos. O primeiro parecia, segundo os narradores, um templo com muitas figuras em relevo nas suas laterais, como cruzes e corvos. Outras partes da povoação, jaziam em grande escombro e muita ruína, que teria sido causado por um terremoto. Próximo à praça descrita, também havia um grande rio. Seguindo por ele, os bandeirantes após três dias encontraram uma enorme catadupa (cachoeira). Neste local, ocorriam grandes quantidades de furnas, muitas cobertas com lages e inscrições. Ainda entre as ruínas foi encontrada uma moeda de ouro muito grande, com "a imagem, ou figura de hum moço posto de Joelhos, e da outra parte hum arco, huma coroa, e huma sétta." Após chegarem na região entre os rios Paraguaçu e Una, os expedicionários enviaram uma carta ao Rio de Janeiro, originando o manuscrito original.


Inicialmente, devemos perceber que estas ruínas não pertencem ao modelo urbanístico colonial português ou espanhol. A possibilidade de terem encontrado algum centro de mineração, abandonado após o término da exploração, também é muito remota. Na metade do século XVIII, a maioria dos complexos mineradores ainda estavam em atividade na Bahia. Inscrições, templos, pórticos e estátuas nos levam ao encontro de uma origem mediterrânea clássica, portanto, imaginária do relato. O problema principal é determinar como foi o contato com esse modelo europeu. A primeira metade do Setecentos foi marcada por uma grande efervescência clássica na Europa, antecipando uma matriz cultural para a data do manuscrito: a comparação das praças com as construídas pelos romanos; estátuas com coroa de louros; pórticos grandiosos; moedas de ouro e citações de acidentes geográficos ocidentais ("Alpes e Pyrinéos"; "Nillo"). Tudo isso nos leva a crer que o autor do relato estava profundamente inserido no contexto das descobertas arqueológicas e culturais que estavam sendo efetuadas na Europa ao início do séc. XVIII.


Mas existem também dois elementos na narrativa que fazem parte de tradições folclóricas muito mais antigas, advindas do séc. XVI. A primeira é referente aos montes de cristais reluzentes, no início do relato. Aventureiros descreveram pelo interior brasileiro a existência de montanhas e serras resplandescentes, associadas a metais e pedras preciosas. Essa tradição formou a partir do Setecentos, o fundamento para alguns folclores bandeirantes, como a Lagoa Dourada (Eupana e Sabaroboçu). O historiador Buarque de Hollanda acreditava que essa tradição esteve intimamente relacionada com o mito do Paraíso Perdido, para o qual funcionaria como uma espécie de antecipação do maravilhoso: "da montanha que refulge passa-se muitas vezes sem dificuldade aos castelos, cidades, casas e igrejas de cristal, tão frequentes nas clássicas visões do paraíso." Graças ao avistamento dessa montanha fascinante, os bandeirantes puderam localizar as ruínas baianas. Também muitas narrativas de cidades imaginárias possuíam uma estreita vinculação com montanhas feitas com metal precioso, como por exemplo o Eldorado. Outra tradição de origem colonial diz respeito a certa estátua, encontrada na Ilha dos Corvos (Açores), cujo folclore sobreviveu até o séc. XVIII, em forma literária ou poética. Segundo Damião de Góes, em sua Chronica do Principe D. Joam (1567), durante o reinado de D. Manuel, navegadores em incursão pela mencionada ilha, descobriram no cume de uma serra uma imensa estátua de um homem vestido de bedém (túnica mourisca), sem barrete, com o braço estendido e a mão apontando para o poente. Abaixo da estátua foram ainda avistadas inscrições misteriosas, sem possibilidades de tradução. Já o poema Caramuru, de José de Santa Rita Durão (1781), também mencionou a célebre estátua: "E na ilha do Corvo, de alto pico (...) Onde acena o país do metal rico (...) Voltado estava ás partes do occidente, d'onde o aureo Brazil mostrava a dedo." Na cidade perdida da Bahia também existiria uma estátua central, cujo braço estendido apontava o dedo para o norte, com certas inscrições indecifráveis no mesmo local. Percebemos com essas duas tradições que o autor do manuscrito estava perpetuando um folclore mais antigo, incorporado ao universo dos bandeirantes e exploradores. Mas os elementos da arqueologia setecentista foram muito mais determinantes na estrutura do texto, como já mencionamos.


A descoberta e escavação de Herculanum iniciou-se em 1710, mas foi com a confirmação de seu nome e origem (1738), que estas ruínas romanas tornaram-se muito famosas. Pompéia foi escavada por sua vez, a partir de 1748, e sua identificação ocorreu apenas em 1768. Podemos também estabelecer uma relação destas ruínas romanas, principalmente Herculanum, com a cidade do manuscrito, ao perceber que o terremoto citado pelo bandeirante é uma catástrofe natural semelhante ao vulcão (no caso, o Vesúvio). A natureza interferindo na obra humana. Outra questão é identificar como essas matrizes foram conhecidas no Brasil. A primeira publicação em larga escala dos vestígios romanos, apareceu somente em 1756, com o livro L'antichità romana de Piranese, três anos após a descoberta da cidade baiana. É possível, deste modo, que o autor da imaginária cidade, tenha estado anteriormente na própria Europa em contato com esse panorama cultural.


O pesquisador Hermann Kruse e o historiador Pedro Calmon estabeleceram como autor do manuscrito em questão, o bandeirante João da Silva Guimarães. Percorrendo os desconhecidos sertões da Bahia entre 1752-53, ele teria noticiado a descoberta das muito procuradas minas de prata de Robério Dias, justamente na região dos rios Paraguaçu e Una. Uma similaridade de data e localização, com a prescrita na Relação da cidade abandonada. Exames efetuados pela Casa da Moeda dois anos depois, porém, declararam que as minas não passavam de minérios sem nenhum valor. Aturdido, Guimarães foi conviver com os índios, desaparecendo após 1764. A obra de Pedro Calmon nos forneceu outra pista valiosa, para a elucidação da origem histórica deste mito. Um dos auxiliadores das buscas de Guimarães, foi o governador da província mineira, Martinho de Mendonça de Pena e de Proença. Examinando sua biografia, descobrimos que ele tinha sido bibliotecário, poliglota e filólogo, membro da Real Academia de Lisboa.


Além de ter proferido uma palestra sobre megalitismo português (Discurso sobre a significação dos altares rudes e antiquissimos, 1733), Proença também realizou, em 1730, uma investigação sobre as misteriosas inscrições de São Tomé das Letras, em Minas Gerais. A partir de 1738, estes caracteres se tornaram muito famosos, circulando cópias por toda a província. Ao analisarmos uma dessas reproduções, percebemos grande semelhança de alguns glifos com os da cidade perdida, principalmente cruzes e letras latinas. Além disso, foram interpretados por um dos autores da reprodução, Mateus Saraiva, como sendo caracteres romanos. No período em que circulavam as cópias, o bandeirante João Guimarães abandonara Vila Rica e partiu em missão exploratória para as regiões dos rios São Mateus, Doce e Pardo, todos na província mineira. Atacado por índios, foi então auxiliado pelo governador Martinho Proença. Talvez a origem do mito esteja nesse antigo contato, entre um bandeirante ávido por ouro e um acadêmico interessado em arqueologia. Proença tinha todas as condições para criar a imagem de uma cidade em ruínas semelhante às romanas, repleta de inscrições, enquanto Guimarães desejava a todo custo encontrar riquezas sem fim. O acadêmico morreu em Lisboa (1743), e João Guimarães anunciou oficialmente em 1752, a descoberta de minas de prata pelo interior baiano, escrevendo em seguida o manuscrito da cidade perdida.


O Início das Buscas


Os investigadores do Instituto Histórico não conheciam os autores do manuscrito, mas mesmo assim, a narrativa foi encarada como um fato totalmente verdadeiro. Ao contrário das tribos indígenas, habitantes de rudimentares choupanas, essas ruínas aventavam a possibilidade de uma antiga civilização muito adiantada ter ocupado a jovem nação. Imediatamente, todos os esforços em encontrar esses maravilhosos vestígios foram efetuados. Em uma reunião do IHGB, o autor da descoberta do manuscrito, Manuel Lagos, oferecera-se para litografar e doar 500 exemplares das inscrições da cidade perdida.


Ao completar uma ano de fundação em 1839, o Instituto Histórico apresentava sob a forma do relatório de seu secretário os resultados obtidos durante este percurso. Se não eram completos, ao menos revelavam uma franca esperança no cumprimento das suas metas básicas de recuperar as origens da nação. Ao citar estupendas descobertas arqueológicas em países muito próximos do Brasil, como Palenque no México e fortificações no Peru, Januário Barboza deixou claro que tais vestígios também podiam ser encontrados no império. A Europa recentemente maravilhava-se com publicações sobre ruínas maias, como Vues des Cordillères et Monuments deus Peuples indigènes de l'Amérique (1810, de Humboldt), Antiquites of México (1831, de Lord Kingsborough) e Voyage pittoresque et archéologique dans la province d'Yucatan et aux ruines d'Itzalane (1838, de Jean Waldeck). É claro que os intelectuais brasileiros também esperam encontrar indícios tão promissores nas desconhecidas florestas do Brasil.


Advindo o novo ano de 1840, surgem novas referências sobre o intrigante tema. Dois eruditos, o cel. Ignacio Accioli Silva e A. Moncorvo, residentes na Bahia, enviaram dados baseados em descrições regionais: "sobre a cidade abandonada nos sertões desta província (...) que não parece ser fabuloso, pelas coincidentes noticias de varios antigos moradores, e exploradores dos sertões, pois por tradição se falla em uma grande Povoação, ou Cidade desprezada e que dizem a habitáram Indios e negros fugidos."


Na tentativa de conseguir informações sobre a antiga cidade, os investigadores acabaram por contatar manifestações do folclore de muitos séculos. Conhecidas pela denominação de cidades encantadas por toda a América Latina, foram metamorfoses de antigos mitos coloniais, como o Eldorado e tradições bandeirantes, formando um rico e elaborado imaginário popular. Muitas destas tradições de cidades encantadas sobrevivem até os dias de hoje por meio da transmissão oral, mas algumas também foram incorporadas à literatura e a poesia, como Maiundeua e Axuí (Pará e Maranhão). Sendo um campo praticamente inexplorado pelos historiadores, é muito difícil elaborar análises sem maiores conhecimentos de fontes. Resta apenas tentar criar hipóteses entre essa aludida entrevista dos eruditos com os populares, ou seja, como as tradições coloniais sobreviveram na forma folclórica do século XIX. Essas cidades encantadas teriam sofrido influências do relato de Guimarães?
Voltamos novamente ao livro de Pedro Calmon. Nele, o historiador afirmou que após a morte do bandeirante João Guimarães em 1766, rumores sobre ruínas já tinham sido criados por populares. Quando iniciou-se a grande extração de diamantes na Bahia, a partir de 1844 na região da Chapada Diamantina, o folclore estava bem consolidado. Mas também não podemos descartar a interferências de outras tradições antigas, como as de redutos indígenas e quilombos pela província, como a própria entrevista dos membros do IHGB deixou claro. Na Bahia ocorrem diversos vestígios de antigos quilombos, como nas regiões de Bom Jesus da Lapa e Rio das Rãs. Relatos imaginários também são muito freqüentes por toda a região. Em Lagoa Santa (MG), existe a fábula de uma cidade submersa através de uma catástrofe, muito similar ao mito de uma cidade submarina de esmeraldas que ocorre na área do médio rio São Francisco, na Bahia. Percebemos desta maneira, que o mito popular foi reinterpretado pelo imaginário erudito, reforçando as convicções vigentes sobre um passado grandioso prestes a ser revelado.


Neste início de 1840, para além do entusiasmo dos eruditos filiados ao Instituto, também os estrangeiros estavam profundamente interessados na confirmação das enigmáticas ruínas. Uma expedição naturalista provinda de Copenhage, a bordo da fragata Bellone, teve como passagem o porto de Salvador. Composta pelos militares Suenson e Schultz, além do botânico Kruger, foram encarregados de examinar a misteriosa localidade. Não chegaram nem a concretizar a expedição ao local, por falta de maiores informações geográficas: "Mais rien ne fut exécuté, et nous en sommes encore réduits aux conjectures sur cette antique cité." O grupo também obteria informações do arcebispo da Bahia, Romualdo Seixas, que no ano anterior, foi citado como membro do IHGB na categoria de sócio correspondente. Mais tarde viria a ser conhecido como Marquês de Santa Cruz. Importante personagem no cenário político daquele momento, como primaz do Brasil foi quem presidiu em 1841 à solenidade de sagração de D. Pedro II. Ainda durante os anos 40, Seixas seria admitido como sócio na Sociedade Real dos Antiquários do Norte, demonstrando seu grande interesse por assuntos arqueológicos.


Os dados trazidos do interior da Bahia por Moncorvo e Accioli, além do interesse do arcebispo Romualdo, seriam reforçados por uma inesperada carta de Munique, assinada por Carl Von Martius. Constituindo-se na gênese da futura dissertação Como se deve escrever a História do Brasil, o documento foi lido com muito interesse na sessão realizada em agosto de 1840. No periódico da agremiação, publicou-se determinados trechos do manuscrito, procedimento que segundo nossa interpretação, procurava demonstrar somente as idéias mais importantes para as metas projetadas nesta época.


A primeira imagem esboçada por Von Martius, foi a respeito de um passado muito remoto para os primeiros brasileiros. A confirmação das diferenças civilizacionais entre essa povoação e os indígenas contemporâneos, se fez através da idéia de contingente populacional e padrões de nobreza. Essa primeira idéia já havia sido levantada, de maneira oposta, pelos deflagadores da inferioridade americana durante o Setecentos. Para Buffon, Raynal e De Pauw, as informações dos cronistas e viajantes sobre as sociedades ameríndias eram falsas, pois a população das cidades pré-colombianas seria muito pequena, com os índios espalhados pelo campo. A concepção geológica de um continente novo contrariava a idéia de uma grande população urbana na América. Com isso, uma remota ancestralidade e uma grande população seriam fundamentais para definir a outrora sociedade que existiu no Brasil.


As provas desse suposto tempo antigo, segundo Von Martius, seriam encontradas na mitologia indígena e em vestígios arqueológicos nesta região central do nosso país. Nada mais conveniente para as metas do Instituto, do que essas hipóteses que encaminhavam para uma formidável descoberta em solo brasileiro. Na mesma sessão, o historiador Varnhagen declarou: "uma proposta para methodicamente serem recolhidas pelo Instituto as possiveis noticias sobre essa grande geração decadente." Conciliando desta maneira, as pesquisas sobre as inscrições fenícias da pedra da Gávea (desta mesma época), a cidade da Bahia e as observações do sábio alemão, o Instituto sentia-se seguro para estabelecer um panorama otimista de nossos vestígios, determinando para todos os agremiados a busca desta geração perdida.


Um Viajante do Maravilhoso


Conscientes de que a glorificação monumental só poderia ocorrer através de explorações, os membros do Instituto nomearam em 1840 o cônego Benigno José de Carvalho e Cunha para encontrar a cidade perdida da Bahia. Quais foram os motivos da escolha deste religioso? As pistas nos levam a um contexto externo ao IHGB. Benigno era professor, poliglota, especialista em línguas orientais e padre subordinado ao arcebispo Romualdo Seixas na Bahia. Suas ligações eram muito profundas, tanto que em 1840 dedicou um de seus livros (A religião da razão) para este arcebispo. As razões para o interesse de Seixas para com a cidade perdida são obscuras. O mais provável é que mantivesse um controle sobre todos os fatos científicos e culturais reinantes em sua província, indicando desta maneira o cônego Benigno para encontrar as tão almejadas ruínas.


Ainda no ano de 1840, em princípios de novembro, Benigno de Carvalho chegou a Salvador em seu período de férias. Neste local, recolheu informações de viajantes que estiveram no interior da Bahia, como o desembargador Mascarenhas de Assis e o dr. Remigio Andrade. O cônego encontrou algumas contestações da legitimidade de sua expedição. A credibilidade da cidade perdida, apesar de sua grande aceitação acadêmica, não era um fato absolutamente genérico. Sem desanimar, negou o caráter fabuloso das ruínas baseado principalmente na estrutura narrativa do documento bandeirante. Percebe-se que Benigno concebia o manuscrito como um autêntico diário de campo, onde os fatos descobertos foram sendo narrados fielmente. Ao mesmo tempo uma história muito simples e ingênua, o documento incluiria detalhes estranhos ao universo bandeirante, como as supostas inscrições avistadas: "como lembrariam a mineiros os caracteres gregos, ou runnos?" Essa lógica interna, também percebida pelos outros membros do Instituto e até alguns estrangeiros, constituiu a prova mais tangível da existência do fascinante local.


A primeira problemática colocada em campo por Benigno, foi a localização exata do sítio. Concentrando-se no único detalhe geográfico mencionado no documento, que relata a existência de um riacho de frente à cidade pelo qual os aventureiros desceram e após três dias chegaram aos rios Paraguassú e Una, firmou sua hipótese, na qual o lugar indicado pelo documento seria a serra do Sincorá. Em seguida passou a obter maiores referências sobre essa serra com os moradores das regiões litorâneas. Ainda na cidade de Salvador, o cônego realizou diversos estudos hidrográficos, todos baseados apenas nos mapas do período. Acreditava o cônego que gastaria 14 dias seguindo o mesmo trajeto dos bandeirantes até a cidade, mas como estava no final das férias, começou a abandonar a idéia de concretizar efetivamente a busca no distante recanto. Planejava ir somente até a cidade de Valença, a maior vila da região, onde obteria maiores informações sobre o rio Braço do Sincorá, se possuía cachoeiras e minas ao seu redor, confirmando o relato dos bandeirantes.


Chegando na cidade de Valença em 5 de fevereiro de 1841, o padre foi acompanhado de um rapaz chamado Ordinando, recebendo um salvo conduto do presidente da província. Que não chegou a ser utilizado, pois devido à grande quantidade de chuvas na região, a expedição foi cancelada. O resto de sua estada na cidade histórica de Valença foi ocupado recolhendo tradições orais dos antigos moradores. O primeiro entrevistado foi Antonio Joaquim da Cruz, que tinha viajado pelas regiões interioranas da Bahia. Afirmava que teria subido o Sincorá e que a cidade perdida ficaria localizada em uma mata na direção leste, mas não teve coragem para adentrá-la. Confirmou ainda a existência de uma grande cachoeira e de profundas minas que emitiriam um estranho estampido. De outros moradores de avançada idade recolheu informações sobre uma cidade muito antiga destruída por um "terremoto, outros que por alluvião (inundação): alguns affirmam que ella existe, mas que nella está um dragão que traga quem lá se approxima; outros dizem que quem lá vai não volta; e a este respeito me contaram uma anedocta de certo coadjutor (sacerdote) que foi a desobriga (visita clerical) para aquelles sitios, e nunca mais appareceu, etc. etc."


Observamos aqui alguns exemplos de cidades encantadas presentes no folclore baiano. Todos estes aspectos sugerem uma origem muito mais antiga, anterior à bandeira de João Guimarães no séc. XVIII. Isso pode ser conferido, por exemplo, com o desfecho catastrófico sugerido para a cidade. Terremotos e inundações foram muito comuns em outras cidades imaginárias, como a Atlântida grega. Também tiveram grande influência simbolismos bíblicos, a exemplo do dilúvio universal, por sua vez muito populares nas teorias eruditas a partir do Setecentos, explicando a origem da humanidade. O aspecto do desaparecimento de pessoas que visitaram a cidade também é percebido em outras localidades imaginárias sul-americanas, como a Ciudad de los Césares. No Brasil, temos os casos de Maiandeua (Maranhão) e Grozongo (Pernambuco), cidades fabulosas que desaparecem sem deixar vestígios. No estado da Bahia, o folclore de taperas abandonadas que se afundam no chão ainda é muito comum.


Todos estes testemunhos colhidos por Benigno, reforçaram suas convicções e hipóteses, confirmando a situação da cidade perdida na região do Sincorá. Planejando a futura expedição para o final de 1841, esclareceu em uma carta enviada em fevereiro ao Instituto, que essa jornada seria muito "longa e perigosa por causa das serpentes e onças, em que abundam aqueles sitios; há selvagens, porêm mansos." Apesar destas aparentes dificuldades, solicitou à agremiação carioca subsídios financeiros para a execução da viagem em pelo menos dois contos de réis.


Entraram em cena mais uma vez os poderosos aliados de Benigno. Um parecer realizado pela comissão de história do Instituto, estipulou a publicação dos documentos enviados pelo padre, além do pedido imediato de verbas ao governo, para o êxito da expedição. E caso não fosse possível a realização de um mapa da viagem, que ao menos os responsáveis publicassem um relatório detalhado da mesma. Em julho foi impressa a memória de Benigno na Revista do IHGB, no mesmo mês da coroação do imperador D. Pedro II.


Após este agitado período político, o arcebispo Romualdo Seixas foi efetivado como membro honorário do Instituto, sendo motivado a auxiliar o bom êxito da busca ao interior da Bahia. Com a influência de importantes personalidades, certamente a empresa não demoraria a colocar-se em campo. No mês de outubro, Benigno enviou outra carta para a capital, desta vez tratando de minas descobertas recentemente na região da serra da Mangabeira (BA), ao qual acreditava que seriam as minas de Muribeca, muito perseguidas pelos bandeirantes. Além de interesses políticos, cada vez mais a planejada viagem a campo do cônego cercava-se de intenções econômicas.


No início de novembro, o presidente do IHGB (Visconde de São Leopoldo), realizou uma petição ao imperador, solicitando financiamento para a expedição. A importância desse empreendimento foi ressaltada pelo documento principalmente pelo seu caráter utilitário. Caso falhasse em seu objetivo maior, ao menos a exploração poderia encontrar "terrenos incultos, e ainda não desafiados no interior do Brasil." Situando-se em uma região pouco conhecida, a cidade perdida poderia fornecer elementos de ordem mineralógica, como também terrenos para a agricultura. Competindo com o grande tema da Revista do IHGB - a etnografia indígena - as pesquisas do espaço geográfico nacional sempre foram muito destacadas. A publicação de narrativas de viagens, explorações, novas delimitações cartográficas e territoriais, contribuiriam para a construção do império tropical. Todo estudo para desmantelar o incógnito e o vazio de conhecimento era sempre muito incentivado pela elite.
É evidente que as regiões próximas à capital tiveram um interesse imediato por suas importâncias econômicas ou políticas. Em uma carta remetida ao secretário perpétuo, um viajante mineiro enviou dados do "deserto que separa as povoações da provincia de Minas Geraes, e às povoações do littoral nas Provincias do Rio de Janeiro, Espirito Sancto, e Bahia (...) derramando algumas luzes sobre os pontos pouco conhecidos dessa interessante porção de territorio ainda oculto." A província da Bahia neste contexto, tinha uma situação estratégica. Somente o seu litoral era bem conhecido neste período e a expedição de Benigno coincidia com essa necessidade de desvendar o que se denominou de deserto: tudo aquilo que não foi ainda explorado, abrangendo florestas, matas, rios e montanhas. Na realidade, estamos tratando aqui de uma categoria cultural muito mais ampla, a imagem do sertão. Mais do que simples locais interiores do império, são "espaços desconhecidos, inacessíveis, isolados, perigosos, dominados pela natureza bruta e habitados por bárbaros, hereges, infiéis, onde não haviam chegado as benesses da religião, da civilização e da cultura." Extraviada no incógnito, a cidade perdida da Bahia esteve associada com a imagem do sertão. Um exemplo pode ser percebido com o coronel Ignácio Aciolli Silva. Especialista nos temas da província baiana, estava inserido neste contexto de elucidação do espaço geográfico e, ao mesmo tempo, no estudo da cidade perdida. Em 1840 recolheu informações populares sobre esse tema, e tencionava descobrir outros dados sobre os vestígios de antigas habitações, que teriam sido ultimamente encontrados nas escavações de diamantes da serra do Assuruá. O sertão torna-se ao mesmo tempo, um empecilho para a civilização - por seu caráter de nulidade territorial, e um potencial econômico - pode revelar imensas riquezas. A busca de ruínas implicava em solucionar essas duas problemáticas, completando a proposta da unidade territorial: "A motivação para pensar o Brasil é a convicção de uma nação incompleta, por isso o dito sobre o sertão se faz com ares de diagnose e, mais, reveste-se de acusações à sua permanência enquanto fardo para o país."
Outro aspecto ressaltado na petição ao imperador foi a respeito da expedição de Benigno como interiorização da civilização. Buscou-se através do avanço científico a dominação do espaço selvagem, mas também a propagação dos ideais de civilidade, moral e religião. Afinal o buscador da cidade esquecida não foi um padre? O mesmo princípio de algumas expedições naturalistas e de pacificação indígena, que além do explorador/cientista sempre participava um religioso. Em Benigno essa função foi unificada dentro do contexto de uma missão heróica semelhantes a dos jesuítas, ao interferirem na realidade americana durante o período colonial. Mesmo o documento dirigido ao imperador, parece apontar nas entrelinhas esse fato. Para o Visconde de São Leopoldo, a civilização estacionou nos locais onde justamente existiram as missões jesuíticas "e que não são de certo as que devem constituir os limites ocidentais de nosso império."


Quatro dias depois da solicitação, prontamente houve uma resposta positiva por parte do imperador. Novamente se manifestou o presidente do Instituto, muito otimista por certo ao verificar que sua petição foi aceita. Recentemente coroado, D. Pedro II iniciou seu relacionamento com a construção de uma identidade nacional, mas também com a política cultural que se praticava neste período. Com isso, ao mesmo tempo em que o imperador participava do mais entusiasmado e pretensioso projeto do Instituto na sua primeira década de existência, também refletia sua credibilidade na existência de uma remota civilização esquecida em nosso país. E também, nada mais conveniente ao seu recente governo do que a descoberta de imponentes ruínas no remoto brasílico.


No início de dezembro, finalmente o obstinado padre Benigno colocou-se em campo. Desta vez conseguiu chegar à região pretendida, onde permaneceu por muito tempo. Enquanto a capital aguardava com ansiedade qualquer notícia de seus resultados, a expectativa criava muitas hipóteses favoráveis aos propósitos da agremiação. Na terceira sessão pública de fundação do IHGB, em dezembro de 1841, o imperador novamente compareceu, revelando o prestígio desta solenidade. Comparados com os anos anteriores, os discursos e conferências foram muito mais exaltados. Depois de três anos de atividades, as pesquisas começavam a formar uma sólida crença em um passado capaz de rivalizar-se com o das grandes nações, inspirando também a formação de novos rumos para o futuro. Totalmente convicto disso, o presidente do Instituto, Visconde de São Leopoldo, realizou um discurso incitando a procura de novas fronteiras do conhecimento, pela qual a conquista de descobertas inusitadas inflamariam o espírito humano. O desfecho da palestra glorificou o mecenato imperial.
Influenciada pelo conceito francês de civilização, a elite imperial procurava demonstrar constantemente a ligação do Brasil com o Velho Mundo e sua cultura. Desta maneira, utilizava um parâmetro de comparação com outras formas de sociedade, como a dos ameríndios, para poder expressar seus próprios valores e se auto-afirmar. Como o próprio Visconde afirmou, o imperador conclamou os resultados do Instituto, na expectativa futura da nação alcançar os patamares superiores do mundo contemporâneo. A descoberta da cidade perdida refletiria diretamente nesta imagem do Brasil: uma nação em progresso, portadora de vestígios arqueológicos, conhecimentos científicos, ideais e costumes elevados. A própria imagem de D. Pedro II foi relacionada, mecenas culto que patrocinou o possível desvendar da maior glória pretendida neste período.


O próximo intelectual a pronunciar-se, o cônego Januário Barbosa, manteve os mesmos ideais. Relatando as principais atividades, projetos e descobertas nos últimos três anos, o secretário perpétuo não omitiu o fato dos temas indígenas terem ocupado a maior parte das preocupações da instituição. Mas qual o motivo desse grande interesse? O próprio Barbosa esclareceu: "investigar o gráo de civilisação a que haviam chegado os povos do novo Mundo antes de apparecerem ás vistas de seus descobridores, força era que nos costumes dos Indios procurassemos o fio, que nos deve conduzir a tempos muitos mais anteriores." Se as pesquisas etnográficas e a literatura conduziam a um interesse objetivo pela imagem do indígena heróico, puro e honroso, os estudos arqueológicos tentavam encontrar indícios muito mais promissores. A grande antiguidade desses possíveis vestígios foi sempre mencionada como um indicativo de sua sofisticada civilização. Pois as sociedades pré-cabralinas encontradas pelos europeus no período de descobrimento, eram muito primitivas (aos olhos dos nossos nacionalistas), com os grandes acontecimentos do passado esquecidos pelos seus habitantes, confiantes apenas na tradição oral. Nesta situação, as investigações etnográficas pouco poderiam contribuir para elucidar a questão do fio condutor para a geração dos tempos antigos. Para reforçar suas hipóteses, Januário Barbosa citou Von Martius, repetindo todo a sua longa carta publicada um anos antes no mesmo periódico.


Devemos perceber que esses argumentos procuravam legitimar politicamente a expedição do cônego Benigno, recentemente enviada pelo interior baiano com os custos imperiais. Louvado por Barbosa como gênio da arqueologia, o religioso foi caracterizado como uma espécie de herói por ter embrenhado-se em tão cerradas florestas e ter de atingir serras ainda não devassadas. Ao enaltecer o custeamento por parte de D. Pedro II, Januário Barbosa ainda insistiu nos perigos da empresa ao caracterizá-la como muito arriscada. Ao final, porém, a justificativa foi feita por outros meios, repetindo os argumentos anteriores da petição do IHGB.


Ao mesmo tempo procurando calar as vozes opositoras, que negavam a existência destas civilizações perdidas, essa justificativa atendia ao alargamento das fronteiras econômicas da nação. O conhecimento geográfico propiciava interessantes retornos financeiros sob a forma de minérios valiosos, terras para a agricultura, habitação e a exploração de recursos naturais. E também o melhor controle político das fronteiras entre as províncias, estas com enormes extensões desconhecidas entre as capitais e o interior. As fantásticas ruínas da Bahia ainda foram apontadas como um "perduravel monumento, que marque nas gerações futuras o feliz reinado de nosso Augusto Protector o Senhor D. Pedro II, e que chame as vistas das Academias e dos sabios do mundo a este grande territorio, cuja geographia, ainda mais que sua historia, se acha desgraçadamente confusa, por não dizer ignorada." Anteriormente, na comentada petição, o Visconde de São Leopoldo também havia caracterizado a cidade baiana como um possível monumento histórico desconhecido.


Ao início da formação do novo império, a elite intelectual já demonstrava um interesse objetivo em vincular vestígios monumentais com o reinado de D. Pedro II. E essas tão almejadas ruínas poderiam simbolizar a perenidade da nação brasileira. Ao mesmo tempo, rompendo a nossa vinculação histórica com Portugal, ao demonstrar que outras civilizações européias estiveram em nosso solo muito tempo antes. Mas não podemos limitar o uso simbólico do passado apenas para com vestígios arqueológicos e históricos. O próprio espaço físico foi utilizado pela elite imperial para dar credibilidade à uma idéia de nação.
Seguindo seus pensamentos, Barbosa relatou a aprovação de uma comissão que deveria reunir em um único volume todas as informações geográficas disponíveis, formando um grande atlas brasileiro, eternizando a gloria dos trabalhos do império. As características do espaço físico deveriam formar também uma memória, que o historiador José Bittencourt denominou de território largo e profundo, isto é, as simbolizações de espaço e tempo efetuadas pela elite intelectual que somadas com representações históricas, foram importantes elementos na formação do Estado Imperial. Com isso, o secretário ao relacionar os objetivos da comissão do Atlas como sendo a busca de monumentos, estava mencionando acidentes físicos que poderiam caracterizar a grandeza do império, e assim como as ruínas humanas, poderiam ser transformados em ícones simbólicos da nação. Percebemos que: "(...) todo imaginário social, da mesma forma que possui um forte componente político, possui também um forte componente espacial pelo poder simbólico atribuído aos objetos geográficos, naturais ou construídos, que estão em relação direta com a existência humana. Em outras palavras, todo imaginário social pode revelar-se imaginário geográfico." Aqui também verificamos outro conceito, de que a paisagem geográfica é uma construção imaginária, enfim, uma representação cultural de determinada sociedade ou indivíduo. Os planos da elite imperial para a construção de uma nação tropical, necessariamente estavam assentadas em determinados símbolos geográficos, sem o qual este imaginário político não teria legitimidade.


Não esgotando estes recursos simbólicos visando a estruturação do poder imperial, a Revista do IHGB mantinha-se aguardando as notícias de seus associados. E a aventura de Benigno de Carvalho estava distante de um fim. Em duas cartas recebidas já no início de 1842, percebemos as dificuldades da expedição. O cônego afirmou que a quantia de 600 réis recebida para os custeios eram insuficientes para realizar o trajeto almejado, obrigando-o a tomar um caminho mais curto. Logo em seguida, em outra carta enviada da mesma província, o nosso conhecido coronel Ignacio Accioli Silva preocupou-se com o sucesso da referida expedição, por acreditar que os recursos eram muito escassos. Quatro meses depois o mesmo coronel enviou outra correspondência noticiando que a expedição ainda não tinha retornado. Somente em agosto a ansiedade geral seria em parte desfeita, após o recebimento de um novo e detalhado relatório.


Ao contrário do anterior, esse prospecto não era nada animador. O obstinado padre lamentou em todo o documento as privações e dificuldades de concluir a sua missão, além da falta absoluta de recursos financeiros. Aguardando uma possível quantia a ser enviada pelo governador da província, o expedicionário efetuou diversas obras de desmatamento, abertura de estradas e queimadas. Frente a tantas intempéries, o padre adoeceu por diversas vezes de febre e malária, ficando com grande debilidade física. Recebendo uma resposta negativa do governador, o general Andréa, Benigno encontrava-se numa difícil situação. Sem dinheiro e saúde para chegar ao local pretendido, só lhe restava especular ainda mais sobre o instigante assunto antes de retornar para Salvador. Enviou o ordenança do grupo e um negro das redondezas para investigar a região do rio Parassusinho, que após 15 dias retornaram sem sucesso. Não sem antes contatar pessoas no rio Grande, que teriam descoberto um quilombo perdido no Sincorá. Benigno terminou o relatório acreditando que escravos fugidos teriam dominado as antigas ruínas, esperando retornar para verificar a exatidão dessas informações. Para isso necessitava novamente de subsídios do Instituto o qual estipulou em 350.000 réis.


Depois de dois anos de buscas infrutíferas, os acadêmicos imperiais começaram a tornar-se mais críticos com relação ao sucesso desse empreendimento. O coronel Ignacio Accioli Silva, ele mesmo anteriormente um caçador de cidades perdidas, enviou uma carta em 1843 com certa ironia. De um início totalmente entusiástico, a descoberta dos gloriosos monumentos baianos começou a revelar-se frustada. A realidade de nosso panorama pré-histórico e etnográfico parecia querer suprimir todas as fantasias construídas na década anterior. Mas o mito ainda conseguiu sobreviver por algum tempo.



A miragem custa a Desaparecer


Um ano depois, a persistência do incansável Benigno de Carvalho mais uma vez iria prosseguir na academia. Uma nova correspondência (1844), atualizou suas pesquisas no desconhecido interior baiano. Desistindo da procura pela margem direita do Paraguaçu, agora concentrou seus esforços na região do rio Orobó. Acreditava que a cidade estaria a poucos dias de jornada. Organizando nova expedição com um número maior de pessoas e equipamentos, partiu em direção do local mencionado. Mas em vez de efetuar somente explorações, iniciou a construção de uma ponte e de uma estrada, ligando as margens do rio Tingá com a vila de Santo Amaro. Qual foi a motivação real desses gastos com tempo e dinheiro, atrasando o objetivo principal do empreendimento? Benigno devia querer aproveitar todo o investimento em soluções concretas para o desenvolvimento da região. Lembremos da anterior petição realizada pelo IHGB ao imperador e dos relatórios do secretário perpétuo, todos aludindo os interesses econômicos da expedição. Sendo criticado nesta altura dos acontecimentos por alguns opositores, a utilização empírica do dinheiro contribuiria para os objetivos desejados. Outra possibilidade, pequena mas não improvável, é que o padre sofria de diversas doenças na ocasião (reumatismo no braço, malária, inflamação do fígado), que o impossibilitou de maiores aventuras por regiões selvagens.


No desfecho de sua correspondência, Benigno apresentou provas para a existência da famigerada cidade, entre as quais um testemunho pessoal provindo de um escravo chamado Francisco, que afirmou ter estado nas ditas ruínas! Não descartamos a antiga existência do folclore popular a respeito de cidades encantadas, nem a tradição de quilombos desconhecidos no qual aludimos anteriormente. Porém, deve-se também ressaltar que os objetivos da missão de Benigno, já há alguns anos internado pelo sertão, deviam ser conhecidos pela maioria dos habitantes dessas regiões. O contato do explorador erudito com as comunidades, nesse caso, deve ter sofrido intenções veladas. O escravo Francisco afirmou que esteve no quilombo quando jovem, vindo a ser cativo na idade adulta. Mas desejoso da alforria, Francisco reforçou o relato com vistas a agradar o entusiasmado pesquisador do Instituto. Se é certo que esses quilombos existiam ainda no período que o padre explorou a região, seus vínculos com a cidade perdida foram puramente imaginárias.


O instigante tema da cidade perdida voltou à ordem do dia no IHGB, com a publicação de outra carta de Benigno Cunha, em abril de 1845. Escrita quatro meses antes para o presidente da Bahia, o tenente Andréa, ao mesmo tempo foi um relatório geral de todas as suas expedições, assim como uma espécie de última e desesperada tentativa de credibilidade para o assunto. Afinal, já haviam se passado três anos de explorações sem nenhum resultado concreto. O próprio padre pela primeira vez, apresentou alguns sinais de descrença, porém, um novo contato com narrativas de idosos das localidades próximas, reanimou suas posteriores convicções - como a existência de veados brancos (que foram citados no documento bandeirante). Ainda baseado nas descrições do negro Francisco de Orobós (aquele que pedia a alforria), aumentou para três o número de quilombos existentes ao redor da cidade perdida. Já sabemos que o presidente Andréa não partilhava de grandes otimismos para com essa expedição. E o pedido de mais soldados, cavalos e dinheiro para Benigno, nunca foi atendido. Nem mesmo sua estupenda afirmação final surtiu efeito: "Eu me animo a affirmar a V.Ex., que a cidade está descoberta." É evidente que essa declaração tinha propósitos imediatos para conseguir maiores recursos, mas para o contexto posterior do Instituto, surtiu efeitos avassaladores. Um deles, foi iniciar as contestações acerca da veracidade desse local. O fim da miragem estava próximo.
Benigno Cunha não comunicou-se mais com a capital a partir de 1845. Somente no ano seguinte, enviou outra carta para o general Andréa, em Salvador, publicada no periódico O Crepusculo do Instituto Literário de Salvador. A redação da revista inicialmente comentou as pesquisas do padre com extrema ironia. Foram contrários à existência da localidade, principalmente pelo fato de não existirem outros restos de civilização pré-histórica no estado. Para estes intelectuais, seria um melhor investimento da expedição o levantamento topográfico da Bahia.


E de certa forma foi o que propôs este último relatório, enviado para o também descrente presidente da província. Benigno não citou uma única vez em toda a narrativa o tema da localidade abandonada. Os seus estudos foram baseados em um mapa enviado pelo general Andréa, do qual não forneceu maiores detalhes. Basicamente, o padre questionou as bases empíricas de todo o levantamento cartográfico existente a respeito do interior da Bahia, nos mapas de Eschwege, Spix e Von Martius. O relato possui um momento curioso comparado com outras cartas do padre. Dedicou muitas linhas para descrever com grande entusiasmo uma caverna situada no rio Prata, onde percebemos um surgimento de imagens delirantes, típicas de exploradores em situações de extrema dificuldade ou frustação.


Em meados de 1846 o general Andréa, com aprovação da assembléia provincial da Bahia, retirou as ordenanças e o auxílio financeiro ao expedicionário. Benigno permaneceu em campo, provavelmente na região do Sincorá até 1848. Surgiram boatos de que teria ficado louco, escutando sinos e outros sons. Escreveu para o bispo Romualdo Seixas, solicitando faculdades espirituais para beneficiar os habitantes da nova cidade a ser descoberta, onde em breve entraria. Outros rumores desse período diziam que Benigno teria realmente encontrado as almejadas ruínas, e que minérios preciosos estariam sendo explorados por seus superiores hierárquicos. O que sabemos de concreto é que retornou frustado para Salvador, vindo a falecer nesta cidade em 1849.


Nesse momento refletimos sobre as razões de tanto empenho por parte de Benigno. Seriam apenas fantasias individuais? A fé cega em um mito não pode ser entendida apenas nessa perspectiva, pois como afirmou Girardet "o mito só pode ser compreendido quando é intimamente vivido, mas vivê-lo impede dar-se conta dele objetivamente." Dessa maneira, acreditamos que a análise mítica pode partir de um referencial social de longa duração, mas explicando as atitudes individuais em um contexto histórico. Tanto o comportamento quanto as imagens do desafortunado religioso foram semelhantes a de aventureiros e religiosos que também buscaram outras cidades imaginárias durante a história americana. O maravilhoso - as imagens que expressam o desconhecido geográfico através do fantástico - são as estruturadoras básicas dessas aventuras. Os conquistadores coloniais, bandeirantes e arqueólogos modernos, desta maneira, foram impelidos por razões diferenciadas (políticas, econômicas ou culturais), mas seguindo as mesmas diretrizes: a busca por cidades imaginárias, situadas em regiões desconhecidas do incógnito brasileiro. O entusiasmo inicial em ambos os tipos de buscadores não era apoiado em evidências diretas, mas geralmente pelo mecanismo da paralipse. Uma estratégia narrativa que consiste em transferir a autenticidade do relato ou da existência de uma localidade imaginária para outros personagens. O famoso Walter Raleigh, ao tratar do Eldorado, legitimou sua existência com informações de indígenas locais, do mesmo modo que Benigno ao utilizar-se do folclore baiano.
O maravilhoso também foi um reflexo do poder. Os aventureiros coloniais expressaram em seus atos aos indígenas, a imagem do poder imperial europeu. E os representantes do IHGB ampliaram as fronteiras do conhecimento geográfico, ao mesmo tempo em que realizaram atividades de interesse da elite imperial. Se para os conquistadores, as cidades imaginárias estruturavam-se em imagens de abundantes riquezas, atendendo aos interesses mercantilistas do colonialismo, para os arqueólogos do império brasileiro, as nossas ruínas irreais atendiam ao ideal da construção de uma nova ordem social e política - a nação dos trópicos.


E a cidade perdida? Quase findando a década, surgiu uma última e desesperada tentativa de elucidar o mistério. Estamos no ano de 1848. O major Manoel Rodrigues de Oliveira enviou da Bahia para a capital, um estudo contestando a localização proposta por Benigno - região do Sincorá - e propondo uma nova interpretação do documento, baseada principalmente em indícios encontrados no interior da província. Oliveira chamou a atenção dos intelectuais cariocas para duas regiões em especial, a primeira situada entre a vila de Belmonte (entre os rios Paraguaçu e Una, centro-sul da Bahia) e a outra em Provisão (sudoeste baiano, próximo à cidade de Camamu). Na primeira foram localizados vestígios de móveis antigos, louças, balaústres, ferramentas, vidros, e na segunda foices, machados e espadas de ferro. Tratavam-se, obviamente, de objetos pertencentes a grupos exploradores, mineradores ou antigas guarnições coloniais. Inclusive, no relato original da cidade perdida, não ocorre nenhuma referência a móveis, alfaias ou objetos cotidianos como vidros e louças, pois os bandeirantes encontraram as casas somente em ruínas. Peças de ferro e ferramentas também não faziam parte da Relação. O único e exclusivo ponto em comum com esses objetos coloniais, foi a menção de uma moeda de ouro ao final do manuscrito.
Ao mesmo tempo em que criticou as pesquisas do cônego, Oliveira concebeu hipóteses fantasiosas muito mais ousadas do que seu predecessor. Fez um breve esboço do alcance urbano dessa perdida civilização no centro da Bahia. Teriam construído um ancoradouro às margens do rio Paraguaçu, uma estrada de acesso próximo ao rio Una, e as pedreiras de mármore da serra teriam sido utilizadas para fabricação de estátuas e monumentos. Mas para as vistas da intelectualidade carioca, os pontos levantados pelo major tiveram uma aceitação reservada. Constituíam sem qualquer margem de dúvida provas concretas de que o sertão possuía um passado desconhecido, mas que a exploração empírica falhava em atingir. O documento enviado também recordou o caráter utilitário para a formação de novas expedições de busca: a descoberta de riquezas para o império.
Mas com a morte do desafortunado cônego Benigno em 1849, morreram também as expectativas do império brasileiro em encontrar o seu "espelho" civilizacional na pré-história. Esse eclipse da cidade perdida no período se deve também em parte aos protestos de intelectuais baianos. O presidente e a assembléia provincial nunca foram favoráveis aos intentos de Benigno. Seu fracasso apenas reforçou essas convicções. Mesmo o estudo do major Manoel Oliveira foi severamente contestado. Outro militar, o brigadeiro José da Costa Bittencourt Camara, publicou em 1849 na revista Razão (Canavieiras, BA), uma crítica às conclusões de Oliveira. O brigadeiro acreditava que o documento bandeirante era apócrifo. Algum explorador esperto teria descoberto diamantes no Sincorá ficando muito rico, mas por remorsos teria fabricado o dito roteiro, baseado nas formas geológicas do local. Também algumas importantes agremiações de Salvador se opunham à existência dessas ruínas, como a Sociedade Instructiva e o Instituto Literário. Um sócio do IHGB, Theophilo Benedicto Ottoni, concordava em opinião com o brigadeiro José Camara. Tendo também explorado o Sincorá, acreditava que o roteiro bandeirante era uma alegoria das minas de diamante da região, elaborado para disfarçar a sua exata localização. Estabelecia ainda que alguns detalhes do relato realmente eram verdadeiros, porém obras da natureza.


Ao final da década de 40, temos também como opositor ninguém menos que o bispo metropolitano da Bahia, o Marquês de Santa Cruz. Acusou o desiludido cônego de ter-se afastado de suas ocupações eclesiásticas básicas, perseguindo uma quimera e efetuando uma "empresa verdadeiramente cômica." Mas sabemos que o próprio bispo foi um dos grandes instigadores da busca dessa controvertida localidade. Assim, do ponto de vista político, econômico e mesmo cultural, a existência das ruínas baianas passou para segundo plano, sendo o ano de 1849 um divisor das pesquisas arqueológicas no império. Marcou o fim de um período de muito entusiasmo, onde o mito foi um grande atrativo para os pesquisadores.


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