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Taphofobia - Medo de ser Enterrado Vivo




O sepultamento é um fato comum a várias culturas após a morte de um indivíduo. O corpo é enterrado tanto por razões higiênicas, para prevenir infecções possivelmente fatais, quanto razões religiosas ou espirituais, para permitir a passagem do espírito do falecido para o além-vida. Mas e quando se é enterrado ainda com vida? Esse é um medo que assombra várias pessoas ainda hoje.

O ato de se enterrar uma pessoa ainda com vida (enterro precoce, como também é conhecido) pode ser tanto intencional quanto acidental. O enterro intencional foi amplamente usado para fins de tortura e execução, assim como de suicídio, mas também como embuste para pessoas que planejavam falsificar a própria morte.


Usado como execução, o enterro precoce remonta à antiga Roma. As vestais eram sacerdotisas da deusa do lar Vesta, e assim como a deusa à qual serviam, deveriam manter seu voto de castidade. Se havia uma suspeita de que uma vestal havia quebrado seus votos, ela era enterrada ainda viva em uma parede, com um pouco de água e pão. Se fosse realmente inocente da acusação, acreditava-se que Vesta a salvaria. Esse foi o destino da mãe dos fundadores da cidade de Roma, Rômulo e Remo, após ter sido violentada pelo deus da guerra Marte e dado à luz os gêmeos. Outra vestal, uma jovem chamada Cláudia Quinta, conseguiu escapar desse destino ao pedir à deusa Cibele uma prova de sua inocência. Usando a faixa de seda de suas vestes, Cláudia arrastou a pedra sagrada de Cibele, que estava encalhada no rio, até o templo da deusa no meio da cidade de Roma, provando assim que tinha mantido seus votos.




Na tradição cristã, alguns santos foram martirizados por terem sido enterrados vivos, como São Castulo, que organizava cerimônias cristãs dentro do palácio do imperador Diocleciano. Tendo sido traído por um seguidor, ele foi torturado e enterrado vivo num poço de areia na Via Labicana. Outro santo enterrado vivo foi São Vitalis de Milão, descoberto após encorajar outro santo que estava prestes a ser executado. São Vitalis também foi enterrado num poço de areia, e pedras foram postas em cima para garantir que morreria.

O enterro de pessoas vivas era usado como punição para assassinos que não se arrependiam na Itália medieval, sendo inclusive mencionado na Divina Comédia de Dante Alighieri. Na Rússia dos séculos XVI e XVII, mulheres que haviam matado seus maridos eram executadas dessa forma, o último caso remontando a 1740. Na Segunda Guerra Mundial, soldados japoneses executaram civis chineses dessa forma, especialmente durante o massacre de Nanjing.

Existem também pessoas que se voluntariam a ser enterradas enquanto vivas como um faquir indiano chamado Sadhu Haridas. Segundo uma história local, Sadhu foi enterrado vivo na frente do marajá e de um oficial britânico por volta de 1840, passando dez meses enterrado (ou quarenta dias, algo bem mais plausível). O local era guardado dia e noite por soldados, e duas vezes o caixão onde o faquir estava foi desenterrado para garantir que ele continuava lá. Ao se passar esse período, Sadhur foi retirado do caixão na presença do mesmo marajá e do oficial, e surpreendeu a todos ao ainda estar vivo e garantir ter tido “um ótimo sono”. O governo indiano declarou o ato de se ser enterrado vivo voluntariamente ilegal, devido a várias mortes causadas por pessoas tentando replicar o feito de Sadhur.

Mais recente, e com mais provas, foi o enterro do famoso mágico Harry Houdini. Por duas vezes Houdini tentou o enterro precoce: uma em 1917, em Santa Ana, na Califórnia, onde foi enterrado sem caixão a sete palmos embaixo da terra. Houdini quase morreu, tendo força apenas para colocar sua mão para fora do solo antes de desmaiar e ter que ser puxado por seus assistentes; ele escreveu em seu diário que o peso da terra era terrível, e que esse era um truque muito perigoso. A segunda tentativa foi em agosto de 1925, quando Houdini tentou expor um mago egípcio que dizia ser capaz de sobreviver enterrado em um caixão por uma hora. Houdini foi trancado num caixão e submerso na piscina do Hotel Shelton em Nova York por uma hora e meia, e sobreviveu apenas controlando seu fôlego. Jamie Hyneman, um dos Caçadores de Mitos, também tentou a façanha, planejando passar duas horas num caixão enterrado. O experimento foi abortado, porém, pois o peso da areia era tanto que o caixão de aço onde Jamie se encontrava estava começando a envergar.

De forma acidental, o enterro precoce pode acontecer quando um médico inexperiente declara uma pessoa morta quando ela não está. Pessoas que sofrem de narcolepsia, um distúrbio que as faz cair num sono profundo repentinamente, ou catalepsia, onde há uma rigidez anormal e incontrolável do corpo, podem ser vítimas dessa prática. Pessoas num coma muito profundo, ou que foram expostas a certas substâncias que diminuem consideravelmente os batimentos cardíacos e a atividade cerebral também podem ser declaradas mortas quando não estão. Essa é a verdade por trás dos zumbis vudu: o chamado “pó de zumbi”, cuja receita é secreta, contém substâncias que induzem a vítima a um estado de coma profundo, com as funções vitais no mínimo. A pessoa em coma pode ser então declarada morta por engano e enterrada, acordando futuramente em seu caixão e entrando em desespero. Nesse momento ela é desenterrada pelo feiticeiro vudu (bókor), que tentará convencê-la que é um zumbi. Pessoas que passaram certo tempo dentro de caixões podem ter danos cerebrais graves que minam sua força de vontade, podendo ser então controladas facilmente pelo bókor.

Por volta do século XIX, histórias de pessoas sendo enterradas vivas causaram pânico na Europa. A medicina da época não era tão avançada, e os roubos de corpos muito comuns. Falava-se de ladrões que abriam covas para encontrar seus ocupantes ainda vivos lá dentro, o que causou a construção dos chamados Caixões Seguros, que possuíam meios de alertar pessoas na superfície caso seus ocupantes ainda estivessem vivos, como sinos (E daí viria a expressão “salvo pelo gongo”, segundo uma lenda urbana. Mas é falso.), e meios para mantê-los vivos até o resgate chegar, que incluíam periscópio para a entrada de ar, reservatórios com comida e água, vidro que podia ser quebrado e que levava a um caminho até a superfície, entre várias outras invenções que foram patenteadas na época.

Porém, há vezes em que o resgate não chega. Normalmente, ao acordar assustada num caixão, a pessoa gasta rapidamente todo o oxigênio no ambiente, morrendo então asfixiada ou envenenada pelo gás carbônico que exalou. Também são causas de óbito em pessoas enterradas vivas a desidratação, a inanição, e em pessoas que foram enterradas em locais frios, a hipotermia (Nota da Autora: Nessa parte alguém faz uma piada de humor negro envolvendo o fato da pessoa já estar dentro do caixão...).

Taphofobia é o medo de ser enterrado vivo. Outras fobias relacionadas são a Claustrofobia (Medo de lugares fechados sem chance de escapar), a Nyctofobia (Medo do escuro), e a certo ponto, a Tanatofobia (Medo da morte).

Na ficção, o enterro precoce aparece principalmente em histórias de terror. Várias histórias de Edgar Alan Poe tratam do assunto, como o conto Enterro Precoce (Premature Burial), sobre uma pessoa que sofre de Taphofobia, A Queda da Casa de Usher (The Fall of the House of Usher), O Barril de Amontillado (The Cask of Amontillado) e O Gato Preto (The Black Cat). Mais recente, o filme “Enterrado Vivo”, que conta a história de um caminhoneiro que foi vítima de um enterro precoce intencional, estreou no cinema e foi bem recebido pela crítica.




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