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Rompendo o Pacto



Segunda visão apresentada no capítulo anterior, Fazer um Pacto com o Diabo é uma operação bastante complexa e implica longa preparação física e mental. O caminho contrário, romper o Pacto, é bem mais simples; não exige substâncias exóticas, atos abjetos ou dispendiosos objetos. O indispensável para anular o Pacto é simplesmente:

1. a FÉ. Fé em Deus, fé em uma inteligência justa diretora do Universo.;


2. um arrependimento sincero em relação atos praticados sob a inspiração do mal.


As Lendas de São Cipriano e do arcediago Teófilo ilustram bem este fato. Cipriano, erudito e inteligente, ao perceber que o Sinal da Cruz impedia a ação de seus poderes demoníacos, deduziu de imediato que atrás do sinal havia uma doutrina-referência poderosa capaz de produzir uma auto-confiança inabalável, verdadeiro segredo de proteção contra feitiços de todo o tipo.


Esta referência, que fortalece o campo energético protetor, no caso da vítima de Cipriano, era a vida do Chrestos Ocidental Jesus. Justina, a moça-alvo dos encantamentos do Mago de Antioquia, tornou-se invulnerável porque assumiu, pela fé, sua natural invulnerabilidade, em uma atitude que "fechou o seu corpo", ou seja, fechou o seu campo mental-espiritual para toda e qualquer influência externa.


No caso do Bispo Teófilo, processo semelhante ocorreu: arrependimento sincero e fé inabalável no poder da Virgem Maria romperam o pacto. Diz a Lenda que certa tarde, em meio às orações na capela, onde havia várias pessoas, o pergaminho, documento-registro do Pacto, emanou de uma parede e, esvoaçando no aposento, foi parar nas mãos de Teófilo.


Santo Alphonse Maria de Ligouri (1696-1787) ensina como romper acordos com o Maligno ainda que assinados com sangue. O procedimento é simples:


1) Renunciar, abjurar, renegar qualquer pacto firmado com o Diabo, explicitamente, em declaração verbal íntima ou com testemunhas de confiança, de preferência um sacerdote.


2) Destruir todos os escritos, fórmulas, talismãs, objetos encantados etc. relacionados à magia negra.


3) Queimar o Pacto, se este foi registrado em documento escrito.


4) Restituir bens ou renunciar a todos os bens ou privilégios obtidos por intermédio do Pacto e compensar quaisquer pessoas prejudicadas por causa do Pacto em todos os casos em que isso for possível.


No folclore árabe existe a história de um mercador que tendo prosperado infinitamente graças a um Pacto com Satanás, ao findar o prazo de desfrute do acordo, depois de muito pensar, decidiu tentar um último golpe para se livrar da dívida e preservar sua alma. No dia determinado, quando apareceu o Maligno a fim de efetuar sua cobrança, foi recebido com desafio irresistível: uma última aposta, um jogo de xadrez.


Se o mercador conseguisse superar o Remo no tabuleiro, estaria livre; se, ao contrário, perdesse a partida, suas penas seriam redobradas. Exímio enxadrista, tanto quanto seu oponente, o mercador conduziu a partida até se colocar em total desvantagem, na iminência de receber o xeque-mate.


Mais uma jogada e o demônio encerraria o jogo. Porém, ao observar a mesa, ao invés de fazer o movimento final da vitória, a criatura infernal, arreganhando seus dentes pontiagudos, tomada de intenso furor, levantou-se abruptamente e proferindo mil maldições desapareceu numa explosão deixando no ar um forte cheiro de enxofre.


Tranquilo, delicadamente o mercador concluiu o jogo e movendo uma peça
em xeque-mate, viu que, como previra, formava-se no tabuleiro a imagem de uma cruz. O Diabo e seus Pactos são extremamente vulneráveis diante de qualquer símbolo do bem apresentado com verdadeira fé.


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